terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIVRO DE PAREDE


                                     

Os girassóis
e os guarda-sóis
me dizem que a vida é bela
e eu devo sorrir!
Eu quero a estrela
que é feita de diamante
Brilhante
ou solitário
eu quero é brilhar!

Ana dos Santos

(intervenção urbana da série "...porque as paredes têm ouvidos...")                                            

Perfomance Erótica Rock'n roll




JARDIM SECRETO

No meu jardim secreto há muita sujeira
Há líquido seminal que escorreu do pau
Há sangue de menstruação do meu coração
Gnomos velhos e aposentados e irados
Bruxinhas disfarçadas de fadinhas
Erva sagrada e erva daninha
Látex perfumado de camisinha
Observações sempre livres
De quem não sabe dizer não
De quem só ouve o coração
E gosta de um bom dramalhão
Lama, vômito, merda e nasceu uma flor!

Anita Morango

A.G.U.I.A. Prosa e Verso Antologia 2009





Meus olhos são pequenos

mas se abrem

para beber o sol

colher sorrisos                                                                     

e comer você.

Chove no verão

e eu choro

na frente do ventilador

para o sol brilhar de novo

e enxugar você.

As pessoas estão se tornando

concreto e alumínio.

Eu me lembro do tempo

em que eu era uma flor!



Ana dos Santos




                                                         

Brazil by Night

                                                                                       
RIO GRANDE DO SUL: Onde o calor é humano!

   No extremo sul de um país tropical faz frio. Ali, nesse paradoxo, encontramos o calor humano do gaúcho, um povo brasileiro que atravessa frias madrugadas, às vezes gélidas, com o branco da neve
a enfeitar a escuridão da noite. Nessas travessias noturnas, como companheiros, temos o calor do fogo,
o amargo do chimarrão e o vermelho do vinho.
   O gaúcho tem o privilégio de apreciar, em suas paisagens, os verdes sem fim das planícies do pampa
e a palheta de cores do pôr do sol sobre as águas do Rio Guaíba, que circunda Porto Alegre. É à beira
deste rio que muitos casais esperam o entardecer, para namorar, tomar chimarrão e esperar as estrelas
que trazem a noite.
   Enquanto o sol se põe, visualizamos um espectro de luzes, que alteram nossas emoções. A noite traz,
além de melancolia, o desejo de diversão, distração e prazer. No porto que carrega "alegria" em seu nome, o que não faltam são opções para a tradicional boemia. A Cidade Baixa é um desses lugares. O
bairro conserva o charme dos anos 30, e, em suas ruazinhas arborizadas, passeamos sob a luz dos holofotes, que iluminam antigos casarões. Nesse espaço democrático, intelectuais, artistas e poetas compõem o cenário ideal para dançar e se apaixonar, sob a luz da lua cheia!
   Como diz o verso de uma tradicional canção gauchesca: "É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor/Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor!" Com certeza, aqui encontramos o calor humano!

Ana dos Santos

Concurso de Poemas Mário Quintana

Pétalas de dores
Eu já estou velha de mim
Buquê de flores
de espinhos e jasmim
Lágrimas de sangue
Viver é sofrer sem fim
Náusea Sartriana
Fernando
Pessoas
em mim.