sábado, 23 de novembro de 2013

Eu tenho sonhos molhados
desejos ousados
que se realizam na imaginação
Fotografo teu corpo
recorto
e colo no meu
Capturo em flagrante
a fragrância
do teu tesão
Tua voz come meus ouvidos
onde estão gravados os gemidos
de uma erótica narração
Eu tenho sonhos molhados
que escorrem pelos lençóis
e penetram no meu colchão


Anita Morango
                                                             

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sempre me apaixono na Primavera...
todo o desejo guardado no Inverno
brota em flores pelos caminhos
o vento brinca com meus vestidos
namoro com o sol
e flerto com a lua
Desconfio que a Primavera
é que se apaixona por mim...

Ana dos Santos

                                          (Mustafa Sabbagh)

segunda-feira, 8 de julho de 2013


Imersa

as emoções estão de molho
buscando adquirir 
novos sabores
texturas
odores
depois do molho
mudar de cor
desbotar
manchas inevitáveis
emergir
à tona
na pele da vida

Ana dos Santos

sexta-feira, 26 de abril de 2013


Passeata

- Que barulho é esse?
- É um homem caminhando.
- Um só homem não faz todo esse barulho!
- É o homem povo passando, uma só cabeça, tronco e membros, um só passo e coração!

Ana dos Santos

sexta-feira, 22 de março de 2013

...ninguém me chama de Baudelaire...

EMBRIAGA-TE

   Deve-se estar sempre bêbado. Está tudo aí: é a única questão.. A fim de não se sentir o fardo horrível do tempo, que parte tuas espáduas e te dobra sobre a tua terra, é preciso te embriagares sem trégua.
   Mas de quê? De vinho, de poesia, ou de virtude a teu gosto, Mas embriaga-te.
   E se alguma vez sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão do teu quarto, tu acordas com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que voa, a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, a tudo aquilo que geme, pergunte que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio te responderão:
  "É hora de se embriagar! Para não ser como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te; embriaga-te sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto.
( traduçao de José Lino Grünewald, 1991)

                                                      

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

-Vai, escreve! Escreve tudo o que vês!
-O que vejo...o que vejo é o homem e suas maldades. Então, dos meus olhos correm lágrimas de sangue, e é com esse sangue que vou escrever...

Ana dos Santos

sábado, 12 de janeiro de 2013


Quindim

Amarelo como o sábado
Doce como o Verão
Eu quero um quindim
só pra mim!
E fim!

Ana dos Santos