segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

da série "ESTÓRIAS MAL CONTADAS"


18:30. Agora não dá mais tempo. Estou atrasada pra hora marcada. Não dá mais tempo de fingir tranqüilidade, saio e coloco os pés nas ruas da cidade. Essa cidade desconhecida. Desconhecida e tão íntima. Velha conhecida. Ando em passos leves, um pouco apressada. Presto atenção nos detalhes da calçada.
   Estou indo encontrar um ser. Um ser que muito me marcou, me abalou. Abalou com minha desestrutura e me reconstruiu novamente.
   O outro. Só com o outro mais próximo é que me encontro e me vejo como realmente sou. Como realmente sou...
   Impossível, impossível captar este momento: ser em plenitude. Eu sou aos pedaços. Mas agora, neste momento de tensão, eu sinto cada parte do meu corpo. Muito viva. Atenta,alerta.
  E de sentir muito, eu não sinto nada. Eu sinto como se o corpo andasse e a alma vagasse bem longe de mim. Como uma pipa. Me sinto uma pipa. E logo ao reencontrar o rosto conhecido, a pipa é puxada de volta ao corpo.
  
   Fui, vi e fui vencida. Vencida por ele, ou por mim mesma? Vencida pelo que fui com ele: quase total. Vencida pelo o que ele foi comigo. Vencida pelo que fomos juntos, vencida pelas trocas que fizemos. Osmose total. E agora, que ele passou por mim e eu passei por ele...preciso urgentemente me reencontrar.

Ana dos Santos

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